“AmarElo”: Novo documentário do Emicida que é uma aula de história e representatividade

“AmarElo”: Novo documentário do Emicida que é uma aula de história e representatividade

AmarElo

Quando Emicida lançou “AmarElo”, seu disco mais recente, em outubro de 2019, seu objetivo e ambição miravam voos mais altos que um simples conjunto de canções. Em 2020 veio o documentário homônimo.

 

*Foto de capa: Relicário

 

Resultado de anos de pesquisas e vivências em diversas partes do mundo, o disco traz em sua forma esse indicativo, com múltiplos produtos e processos, convidando a uma transformação. São histórias e recados de amor, oferecendo um abraço delicado, emoção e resistência.

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AmarElo: Prisma

Com conteúdos destrinchados em vídeos, podcast e redes sociais, o rapper paulista cria novas perspectivas por meio de uma jornada de transformação pessoal e social.

 

amarelo emicida prisma

 

Tudo o que aprendeu ao longo dos anos como um raio de luz em “AmarElo”, numa espécie de prisma.

 

Quando você tem um ambiente de paz, consegue alcançar a serenidade e observar a realidade com maior clareza e capacidade de reflexão”, explica o artista. “Daí, é possível se conectar com a sua própria compaixão, se colocar no lugar do outro e, assim, mudar a realidade”, continua.

 

Trocando em miúdos: com AmarElo PrismaEmicida  promoveu por meio da empatia, uma mudança de comportamento que permita um respeito à pluralidade do Brasil. Para isso, ele parte de narrativas pessoais (a dele e a de múltiplos e diversos entrevistados) para chegar a soluções coletivas.

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Tal qual uma sinfonia, o Amarelo Prisma foi organizado em Movimentos, que foram lançados e destrinchados semanalmente. São quatro Movimentos no total, cada um regido pelos valores de AmarElo. Lembrando: Paz (dialoga com o corpo), Clareza (aborda a mente e a saúde mental), Compaixão (fala da alma, empatia e capacidade de conexão com o outro) e Coragem (diz sobre o coração, o poder de criar uma nova história juntos, independentes do medo gerado pelo desconhecido). Esta última, inclusive, traz a filosofia africana Ubuntu como referência (“eu sou porque nós somos”).

 

Quando Emicida lançou o trabalho, não quis chamá-lo de disco, mas, sim, de experimento social, pois a sua proposta era para além da música.

 

Agora, mais uma parte da sua ideia, que tem a transformação como elemento principal de toda engrenagem, ganha vida. Trata-se da iniciativa multiplataformas AmarElo Prisma, cujo conteúdo se espalha em formato de vídeo. O AmarElo Prisma é uma realização da Laboratório Fantasma em parceria com a agência criativa Mutato.

 

AmarElo

Sempre relacionando com as vivências e lutas diárias de pessoas negras, Emicida é conhecido por mesclar o rap com a MPB e o samba.

 

O repertório é produzido por nomes como Nave, Mario Caldato, Damien Seth e DJ Duh. O novo álbum conta com grandes participações como Zeca Pagodinho, Pabllo Vittar, Dona Onete ,da atriz Fernanda Montenegro e de seu grande e fiel amigo Wilson das Neves .

 

Com o título inspirado em um poema de Paulo Leminski (amar é um elo | entre o azul | e o amarelo), o artista busca reunir heranças, referências e particularidades encontradas na magnitude da música brasileira e aplicar a elas olhares e aprendizados que acumulou desde o lançamento da sua primeira (e clássica) mixtape “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida Até Que Eu Cheguei Longe…” (2009).

 

No projeto “AmarElo”, que é, sim, um disco, com 11 faixas e 49 minutos, que ganha forças ao trazer o sentimento como protesto, tirando do rap  aquela postura determinante e abrindo para o diálogo, convidando inclusive o ouvinte a repensar sobre a própria realidade a cada faixa. 

 

AmarElo estrutura uma narrativa que ultrapassa os estereótipos, o jeitinho brasileiro e revela a verdadeira riqueza do Brasil e do mundo: a mistura de raças, crenças e costumes que juntos, formam um som forte e unido, em que os julgamentos não têm espaço.   O álbum foi o grande vencedor do Grammy Latino na categoria “melhor álbum de rock ou música alternativa em língua portuguesa”.

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A capa do disco também não foge das participações e é fruto de uma parceria de Emicida com a fotógrafa Claudia Andujar, responsável pela imagem dos curumins da capa do disco.

 

“Ter três crianças indígenas na capa, num período em que estão vendo a sua cultura e o seu modo de vida ameaçada, é colocá-las para encarar o Brasil dizendo: ‘Sério mesmo? Vai acontecer tudo de novo?”,

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“Tudo pra ontem”

 

Assim como o álbum, o documentário é calcado na sensibilidade e, enquanto dá uma aula de história sobre a contribuição da comunidade negra na cultura brasileira, onde mostra o poder dos pretos dentro deste país. Embora poucos saibam, homens e mulheres pretos foram os responsáveis por fazer de São Paulo o que é hoje. A arte do Samba, a arquitetura, o grafite, o hip hop, TUDO, foram construídos por mãos pretas, mãos que a história tenta apagar.

 

O show do rapper aconteceu no Theatro Municipal. Questionado pela escolha do ambiente, Emicida diz que é porque poucos negros conhecem o local. O teatro é a alma de São Paulo, e o povo preto tem que ocupar todos os lugares negados, como medicina, engenharia, arquitetura, direito, dentre outros. Tudo que foi tomado de um povo escravizado precisa ser devolvido pra ontem.

 

Plantar, regar e colher.

Emicida associa a sociedade com a jardinagem. O artista conta sobre seu processo de aprendizagem com a horta e comenta sobre as pragas que surgem conforme sua plantação começa a crescer, pragas como aranhas e cobras.

 

”A aranha e a cobra não querem te machucar, essa é a última opção. Se te machucam é porque sentem medo. O medo te empurra a fazer coisas que você não queria fazer. ”

 

Todo esse período de plantar, regar e colher é o caminho de luta racial, onde passamos a conhecer muitas vidas importantes para este movimento e quanta injustiça e perseguição eles enfrentaram e enfrentam.

 

 

A liberdade é uma só

A busca pela liberdade é a mesma, não tem distinção, ou seja, é impossível lutar por um movimento e apagar o outro. Uma minoria sozinha é fraca, mas todas juntas são fortes. Pretos, mulheres, nordestinos, transexuais e homossexuais tem um inimigo em comum e todos nós sabemos quem é.

 

“Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro” é uma frase parte de uma de suas musicas, onde o rapper canta junto de Majur, uma mulher trans e Pabllo Vittar, um gay Drag Queen. A formação desse grupo tem um peso enorme: mostrar que a luta pela liberdade é uma só.

 

Podemos sim conhecer um pouco mais da intimidade e do processo criativo do rapper, mas “AmarElo – É Tudo Pra Ontem” é muito mais sobre o coletivo do que sobre o próprio Emicida. Com o documentário podemos ver em detalhes as pessoas e histórias coletivas que deram origem a cada faixa do trabalho.

 

AmarElo – É Tudo Pra Ontem: documentário está disponível na Netflix.

 

 

 

 

 

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Cineasta ,produtora audiovisual e apaixonada por tudo que envolve as 7 artes. Atua como membro da Redação do Portal Mundo.