“Bom Dia, Verônica” e o alerta de combate à violência contra a mulher

“Bom Dia, Verônica” e o alerta de combate à violência contra a mulher

bom dia verônica

Desde que a Netflix passou a disponibilizar a seus usuários o Top 10 de produções mais assistidas na plataforma, um gênero em especial se mostrou particularmente popular: o thriller policial.

 

Sejam obras ficcionais ou séries documentais, as tramas que retratam crimes são queridinhas do público do mundo todo, incluindo, é claro, o brasileiro. Só que, infelizmente, essa realidade não se traduz na produção audiovisual nacional.

 

Bom dia, Verônica, é uma série toca em várias “feridas” de problemas enfrentados pela sociedade brasileira , alguns deles estão enraizados há muito tempo.

 

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A produção brasileira baseada no livro homônimo, e escrito por Ilana Casoy e Raphael Montes, conta a história de uma escrivã de uma delegacia de homicídios (Tainá Müller), de uma mulher vítima de violência doméstica (Camila Morgado) e de um serial killer (Eduardo Moscovis), responsável por um violento ritual de caça à mulheres na região central de São Paulo.

 

E quais são as tramas que fazem com que a série ganhe o título de polêmica?

 

Debate aberto sobre violência doméstica e feminicídio

Uns dos pontos chaves de Bom dia, Verônica, que evidenciam as dificuldades de se fazer justiça em crimes relacionados ao estupro e violência contra a mulher no Brasil, é ilustrado diante da realidade de muitos relacionamentos abusivos no país.

 

Na verdade, alguns a classificam como um grito de justiça para muitas mulheres que são vítimas diariamente de violência doméstica ou que acabam mortas e entrando para os altos índices de  feminicídio.

 

Ao final de cada episódio, a série traz alertas sobre a violência contra a mulher e modos em que o telespectador pode denunciar os casos.

 

“O abuso e a toxicidade vão se mostrando e depois vão escalando até o dia em que o homem mata a mulher. É um crime tão grave que deixa o Brasil no quinto lugar no ranking do feminicídio no mundo. Nosso alerta é para que a mulher não deixe ultrapassar nenhum limite e peça ajuda”.

 

Abuso sexual

A protagonista da série, Verônica Torres, uma escrivã da polícia que se vê imersa em um caso sobre um homem que engana mulheres virtualmente. Quando iam ao seu encontro, as vítimas eram sedadas e abusadas.

 

A série destrincha o sentimento do medo de denunciar e o receio de serem julgadas. Além disso, fica muito evidente sensações como ingenuidade e vergonha, recorrentes em vítimas após sofrerem esse tipo de situação.

 

A realidade no momento da denúncia

“Que roupa você estava usando?”, “Você estava bêbada?”, “Você não o conhecia e saiu com ele mesmo assim?”.

 

Essas são algumas perguntas feitas em interrogatórios ou quando as vítimas decidem fazer a denúncia. Esse tom vindo das autoridades na ficção não é diferente ao que muitas escutam na vida real. Para evitar esse tipo de tratamento, muitas mulheres se calam e optam por não denunciar o agressor.

 

Para além dos tópicos relacionados à violência doméstica e feminicídio , a série ainda tem espaço para discutir outras barreiras que mulheres sofrem em seus cotidianos.

 

Uma delas é o machismo sofrido por Verônica no ambiente de trabalho. A protagonista se mostra uma ótima investigadora (apesar de ser uma escrivã) e é muito comprometida com sua missão de ajudar as pessoas, principalmente mulheres. Mas seu chefe constantemente a diminui e não dá oportunidades para que Verônica cresça.

 

Sororidade

Mesmo diante de toda crueldade e silêncio, a protagonista sempre transmite para quem está assistindo um pouco de esperança. Isso porque ela leva seu trabalho muito a sério e acredita que é dever da Polícia ajudar as pessoas e fazer a diferença .

 

Na vida real  não é diferente, até porque tudo o que acontece em Bom Dia, Verônica não é impossível de acontecer na vida real.

 

Por mais que os acontecimentos tenham sido mostrados de uma maneira muito mais intensa e perigosa, alerta para a existência do crime doméstico, que faz vítimas diariamente em todo o mundo.

 

É preciso olhar para a série não como uma ficção, mas como uma possibilidade, e sem julgamentos, uma vez que a realidade de uma casa, de uma vida em casal não é o que é visto por fora e, inclusive, não é algo que envolve uma simples decisão de sair dali.

 

Se você for vítima de violência contra a mulher ou conhece alguém que precisa de ajuda, ligue 180. Em situações de risco iminente à vida, o número 190 também está disponível. A denúncia é anônima e gratuita.

 

 

 

 

 

 

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Cineasta ,produtora audiovisual e apaixonada por tudo que envolve as 7 artes. Atua como membro da Redação do Portal Mundo.