Conheça a Abrace, única instituição autorizada a cultivar maconha no Brasil

Conheça a Abrace, única instituição autorizada a cultivar maconha no Brasil

Abrace instituição autorizada a cultivar maconha

Quando conseguiu o emprego, a estudante Jamiles Lopes deu um susto na mãe: “Vou trabalhar com maconha”. O local do novo trabalho era a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace) – a primeira e única instituição do Brasil autorizada pela Justiça a cultivar maconha para fins medicinais. 

 

“Até minha mãe entender que a maconha era usada como medicação, foi bem complicado”, relembra Jamiles, que coordena o atendimento às famílias que buscam na Cannabis sativa – nome científico da planta – um tratamento para doenças como epilepsia, esquizofrenia e esclerose múltipla. “Mas é super de boa trabalhar aqui, é um aprendizado, uma lição de vida todo dia”, resume.

 

 

Localizada em João Pessoa (PB), a associação funcionou clandestinamente de 2014 a 2017, quando conseguiu uma liminar judicial para funcionamento. No Brasil, a pena para fabricação de medicamento ilegal é de até 15 anos de prisão. Cassiano Teixeira, fundador e diretor executivo da Abrace, diz que, nesse caso, o “crime” cometido foi essencial para conseguir a autorização da Justiça. “A causa foi ganha com provas, juntamos os depoimentos das mais de 100 famílias que já estavam sendo atendidas pela associação. A ilicitude é derrubada quando você salva uma vida”, defende.

 

A causa da Abrace teve apoio do próprio Ministério Público da Paraíba. Segundo Teixeira, a juíza Wanessa Figueiredo chorou ao ouvir o depoimento de pais que lutam diariamente pela vida dos filhos. Antes da decisão liminar, para ter acesso ao canabidiol (CBD), substância derivada da maconha, era preciso pedir autorização à Anvisa para importar o produto. O preço do importado, que custa US$ 250 por 100 mg (cerca de R$ 1.000, sem contar as taxas) e é suficiente para um mês e meio, dificulta o acesso ao medicamento. Em comparação, o spray nasal Resgate, de 25 ml, produzido pela Abrace, custa em média R$ 150.

 

Da plantação à venda do óleo Esperança 

 

Chamados carinhosamente de “fazendinha”, os laboratórios de plantio, cultivo e análise da maconha produzida pela Abrace ficam numa casa de 450 metros quadrados, na zona norte de João Pessoa, a poucos metros de uma comunidade carente. Protegido por um muro alto, cerca elétrica e câmeras, o local exige autorização prévia da associação para ser acessado. Teixeira diz que até houve uma única tentativa de invasão, logo no início dos trabalhos, mas sem prejuízos. “A comunidade protege e abraça a associação”, afirma.

 

O primeiro laboratório do país para produção do óleo artesanal extraído da maconha teve início na garagem da casa de Teixeira. “No início, dormia aqui no sofá. Já acordava no trabalho”, lembra ele, que dedica 12 horas do dia, em média, à Abrace.

 

A decisão de cultivar a Cannabis surgiu com a doença do irmão, que tem epilepsia. As convulsões estavam se tornando constantes e o tratamento com remédios tradicionais não surtia mais efeito. Formado em Turismo, Teixeira aprendeu a extrair de forma artesanal o óleo da planta vendo vídeos no YouTube e conta que o irmão raramente tem crises desde o início do tratamento.

 

Ao entrar na estufa com plantação de maconha no laboratório da Abrace, o sentido que “acorda” primeiro é o olfato. O cheiro é muito aromático, por causa da floração. A depender da fase de crescimento em que se encontre a planta, os aromas mudam. Da plantação ao cultivo, o processo pode demorar de oito a 24 semanas. “Essa aqui é para final de julho, aquela outra, para setembro”, aponta Teixeira.

 

O espaço é dividido em duas áreas. Na verde, ficam as três estufas, separadas por períodos de germinação. Assim que as mudas estão prontas, a Cannabis é cultivada, separada e colocada em pequenos contêineres metálicos, protegidos por senha.

 

Na área vermelha, onde estão os laboratórios de extração e análise do óleo artesanal, o acesso é limitado e tudo é inspecionado pelo Ministério Público Federal (MPF). É dali que sai o disputado óleo Esperança, com três tipos separados por cor (azul, verde e laranja). Na prática, a diferença entre os óleos se dá na concentração e na predominância de tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), principais substâncias extraídas da maconha. A Abrace ainda produz uma pomada para uso em regiões de dores e inchaço, um óleo para vaporização e um spray nasal para interromper rapidamente uma crise convulsiva.

 

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Dificuldades para manutenção

 

Teixeira conta que a Abrace tem um custo fixo mensal de R$ 100 mil. O lucro, quando há, é usado para investir na melhoria da infraestrutura, como a compra de equipamentos. Um exemplo foi a aquisição do HPLC, equipamento de análise que permite maior precisão na produção, análises e pesquisas de produtos feitos com as substâncias THC e CBD. 

 

O caixa da associação vem da taxa anual paga pelos associados, no valor de R$ 350, e da comercialização das pomadas, óleos e sprays nasais, que têm preços que variam entre R$ 50 e R$ 600, a depender da quantidade. Para reforçar o caixa, a Abrace também comercializa camisetas, broches e canecas da campanha a favor da maconha medicinal.

 

Entre colaboradores, voluntários e assalariados, são cerca de 25 funcionários distribuídos entre o laboratório, cultivo e dispensário. O grupo inclui farmacêuticos, psicólogos, assistentes sociais e químicos, entre outros, e todos precisam assinar um termo de ética para trabalhar na Abrace.

 

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Fila de espera

 

Há quadros espalhados por toda a Abrace com desenhos e depoimentos de crianças atendidas. Toda semana, conta Teixeira, chega alguma carta de agradecimento à associação pelo acolhimento. Já são mais de 2.000 pessoas de todo o Brasil, incluindo países como Portugal e Argentina, que tiveram acesso ao produto. Entre elas, mais de 100 famílias recebem o medicamento gratuitamente por falta de condições financeiras. Para ter direito, a criança precisa estar matriculada na escola, ter a vacinação em dia e participar do programa Bolsa Família.

 

No esforço de zerar a fila, a instituição vai abrir em outubro deste ano um novo dispensário e espaço para plantio e cultivo da Cannabis em Campina Grande, a 120 km da capital paraibana. A expectativa é ampliar o atendimento para 10 mil pacientes até o fim de 2020. Além da burocracia jurídica para ampliação da produção, a iniciativa exige gastos com segurança. “Já fizemos campanha de arrecadação, mas não há muito apelo. O clamor da sociedade vem quando sente na pele. Quem mais ajuda é quem mais precisa”, diz Teixeira.

 

Maconha sem cheiro pode se tornar realidade

 

Um caminho para driblar as dificuldades foi fazer parcerias e convênios com outras instituições, como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio de projetos de pesquisas. No Piauí, por exemplo, 60 crianças com microcefalia do projeto Ninar utilizam os produtos terapêuticos da Abrace. Em troca, a associação recebeu equipamentos necessários para extração do óleo da maconha.

 

*Com informações da UOL

 

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