Exclusivo: Conversamos com o Vj Vacão sobre a projeção inovadora da Baobá Festival

Exclusivo: Conversamos com o Vj Vacão sobre a projeção inovadora da Baobá Festival

projeção da baobá vj vacão

A Baobá Festival, em sua terceira edição, impressionou o público de várias maneiras. Sendo que o noturno apresentado na festa figura entre os principais assuntos atuais dentro da cena do Psytrance.

 

O responsável pela tão comentada projeção da Baobá – O Feitiço de Karabá foi o Vj mais famoso do Brasil, o VJ Vacão. Para quem não viu:

 

projeção vj vacão

 

Conversamos pessoalmente com Leandro Sousa, o Vacão, para desvendar todos os mistérios dessa projeção insana e explicar de uma vez por todas pra galera o que foi que vimos durante o noturno da Baobá.

 

— Salve Vacão, boa tarde! Muito obrigado por aceitar trocar essa ideia conosco e tirar nossas dúvidas. Pra começar a conversa Vacão, conta pra gente o que tinha em toda a projeção da Baobá.

 

“Bom no palco tinham dois projetores de 20 mil lúmens apontados, é raro ter tudo isso em festas, mas faz toda a diferença. O restante da iluminação, quando a Baobá contratou a projeção e holografia teve que ser alterada. Não se pode ter tudo, automaticamente sua tenda e pista vão ficar mais escuras porque senão a projeção não se sobressai.”

 

 

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— Bom, a pergunta que não quer calar Vacão: De onde veio a ideia dessa projeção sinistra na frente do DJ que presenciamos na Baobá Festival – O feitiço de Karabá? Aliás, explica pra gente que tipo de projeção foi essa.

 

“Eu vi isso esse ano. Estava atrás de uma coisa nova e bacana pra trazer para o Brasil, pra galera, e aí eu vi um show do Erick Prydz em junho. Achei muito louco, pensei ‘como os caras estão fazendo isso?’.”

 

“Há um tempo atrás essa holografia era feita com acrílico e uma película especial, foi assim que foi feito o show do Micheal Jackson após a morte, teve um do Tupac também. Essa era uma técnica bem mais complexa!”

 

“Logo na sequência inventaram essa tela especial que em nenhum lugar fala sobre do que é feita, eu mesmo não sei do que ela é feita, e o Erick Prydz usou e eu fiquei impressionado. Aqui no Brasil vi primeiro na Katayy Festival e foi lá que consegui o contato de um cara da tela, ajudei ele com o delta process e tudo se arrumou, a tela então caiu no meu colo depois disso”.

 

projeção da baobá

 

Você sendo um Vj experiente e consagrado, quais são as dificuldades de se projetar em uma tela?

 

“Primeiro eu preciso falar de holografia. A holografia ainda não existe, ainda estamos no estágio do conceito. Porque uma holografia tem que ter profundidade no eixo Z, por exemplo se eu tô vendo uma holografia e começo a me mover eu tenho que ver a lateral dela. Isso só existe em filme do Star Wars.”

 

“Existem algumas holografias que já são feitas com fotos, mas ela limita sua perspectiva. Não tem totalmente os 180° se mexendo. O que fizemos na Baobá é uma projeção transparente. Você vê o fundo mas não vê onde está sendo projetado. É um conceito.”

 

“Pra tudo funcionar a tela tem que segurar 100% da projeção e ao mesmo tempo ser quase 100% transparente. Precisamos de um projetor de alto contraste e na Baobá usamos dois de 10 mil lúmens para isso. O grande segredo é que quando essa projeção passa pela tela ela vaza, e as pessoas não podem ver isso, no caso da Baobá eu me arrisquei e fiz de baixo pra cima, então a projeção vazava para o teto. Nos outros shows que eu vi, eles fazem de cima para baixo aí a projeção vaza para o chão.”

 

“Outra dificuldade é manter o DJ em evidência. Eu tentei encaixar sempre o DJ no meio das projeções, colocamos também uma luz focal pra mantê-lo em evidência. Quem viu os vídeos acha que a projeção estava no fundo do palco, mas quem estava lá sabe que estava na frente do DJ. E é justamente isso que causa essa confusão na mente das pessoas. Totalmente mágico! Mas bem difícil e necessita de muitas pessoas envolvidas.”

 

 

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Pra um projeto deste tamanho, com tanta dificuldade técnica aplicada, quem foi fundamental para a holografia da Baobá acontecer?

 

“Pra fazer uma coisa assim todas as exigências da projeção precisam ser atendidas, e disso eu não posso reclamar da Baobá. A crew fez até mais do que eu pedi e com certeza viabilizaram, e tudo isso é muito caro e a organização do evento tem que estar disposta realmente a fazer.”

 

“Quem me ajudou muito mesmo foi o pessoal da Surya EcoArt, se não fossem eles eu nem colocaria a tela. Eles me ajudaram, me deram ideias, eles são incríveis. Minha esposa, a Marcela, me ajudou desde o começo, teve uma sacada genial em como prender a tela com fio de nylon para não formar barriga durante a projeção outdoor. E não posso deixar de citar o Guto, da Stage Model, nesse projeto ele que fez o palco e foi responsável também por viabilizar a projeção como um todo, ele que fez a matemática pra mim. Além da galera toda que participou da Baobá ativamente, teve o pessoal da Katayy que me apresentaram a técnica e com certeza sem eles não teria dado certo!”.

 

 

Podemos chamar essa tecnologia holográfica envolvendo essa tela de inovadora, pelo menos aqui no Brasil?

 

“É bem inovadora sim. Aqui no Brasil você não vai ver muito porque é caríssimo, ainda é inacessível. É absurdo o preço pelo material que é, porque você pega a tela e parece ser só um pano… mas tem tecnologia aplicada, parece que é uma tela polarizada.”

 

“Além de caro é super sensível. O vento quase foi um problema na Baobá, estouraram alguns pontos de fixação dela. É necessário ter cuidado e técnica.”

 

 

Na sua opinião Vacão, essa tela vai virar uma tendência no Brasil? Todos os festivais vão começar a aderir?

 

“Olha, uma coisa é fato, eu não consigo ver essa tela nas mãos de pessoas que estão começando agora. É preciso ter experiência com festas e sozinho você não faz nada, como foi o caso da ajuda que recebi do pessoal da Surya e do Guto, a Baobá também porque por ser um projeto muito caro se torna muito ambicioso.”

 

“Mas ta aí o resultado, eu acho que é o futuro sim. Daqui alguns anos vai se tornar comum, igual o mapping quando começou, um ingrediente que não pode faltar mais nas festas. Por enquanto eu não tenho vontade de por essa tela em todas festas, tanto pela dificuldade e preço quanto pela depreciação que pode acontecer com a arte envolvida, mas com certeza é o futuro.”

 

 

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