Diretores de cinema que dão aula sobre representatividade negra

Diretores de cinema que dão aula sobre representatividade negra

representatividade negra spike lee

O assunto costuma vir à tona na época de premiações, como ocorreu em 2016 com o movimento Oscar so White, que expôs o fato de que todos os indicados nas categorias de atuação eram brancos.

 

O debate iniciou-se com o reconhecimento pela Academia, mas chamou a atenção para uma verdade que todos sabem muito bem: pluralidade e representatividade negra nunca foram o forte de Hollywood.

 

Não são poucos os papéis que sofrem o famoso whitewashing, quando um papel de um personagem negro, asiático, latino ou de qualquer outra ascendência acaba sendo interpretado por um ator branco. Isso nos leva a pensar: se até os papéis que deveriam ir para as minorias são entregues aos brancos, quais as chances de estas mesmas minorias aspirarem a algo maior?

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Nos últimos anos indústria tem se esforçado um pouco para evitar as aberrações do whitewashing, mas é importante lembrar que quando falamos em representatividade não é suficiente apenas escalar atores e demais funcionários negros na equipe. Representatividade negra, por exemplo, é contar as histórias de pessoas negras, respeitando e enaltecendo sua bagagem histórica, cultural, religiosa e suas ainda existentes lutas na sociedade.

 

Muitos cineastas negros, inclusive representatividades brasileiras , têm conquistado espaço dando voz a estas pessoas e mostrando que suas histórias são tão importantes e interessantes quanto qualquer outra na indústria cinematográfica. Conheça a seguir um pouco destas vozes por trás das câmeras:

 

Spike Lee 

spike lee representatividade negra no cinema

Foto: Wikimedia Commons/ Georges Biard/Licença

 

Foi um dos pioneiros a conseguir exposição com suas histórias cruas sobre o que é ser negro nos Estados Unidos. Ele ficou mais conhecido na indústria depois de sua indicação ao Oscar pelo roteiro de Faça a Coisa Certa em 1990, mas 10 anos antes disso ele já havia filmado um curta que rebate o filme O Nascimento de uma Nação, que aborda a Ku Klux Klan.

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O curta quase resultou na sua expulsão da faculdade. Lee passou quase duas décadas sem o reconhecimento da Academia e até chegou a ser homenageado pelo conjunto da obra em 2016 – exatamente no ano do Oscar so White.

Seu primeiro prêmio veio em 2019 pelo roteiro de Infiltrado na Klan. Em 12/06 seu novo filme Destacamento Blood irá estrear diretamente na Netflix. Obras de destaque: Faça a Coisa CertaMalcom X e Infiltrado na Klan.

 

Sabrina Fidalgo

sabrina fidalgo cineasta brasileira negra

Foto: Reprodução/Twitter

 

Diretora e roteirista carioca está conquistando o mundo. Em 2018 ela foi indicada pela publicação Bustle como uma das cineastas mais promissoras ao redor do mundo.

Seus filmes já foram exibidos em mais de 300 festivais pelo planeta e focam em protagonistas negras. Seu curta Rainha conta a história de uma jovem que sonha em ser rainha de bateria da escola de samba de sua comunidade.

 

Ava DuVernay

representatividade negra no cinema Ava duvernay

No set de “Selma”, nos estúdios Paramount. Foto: Atsushi Nishijima/Paramount

 

Fundadora de um movimento de distribuição de filmes com temática negra que hoje virou a distribuidora independente Array NowAva DuVernay foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de Melhor Direção no Festival de Sundance pelo seu segundo filme da carreira, Middle of Nowhere.

Ela também foi a primeira diretora negra a receber uma indicação ao Globo de Ouro pelo filme Selma: Uma Luta pela Igualdade, que aborda as passeatas de Martin Luther King pelos direitos civis dos negros. Para o Oscar, ela recebeu uma indicação pelo documentário A 13ª Emenda, sobre a questão racial no sistema penitenciário dos Estados Unidos. Obras de destaque: Selma: Uma Luta pela IgualdadeA 13ª Emenda e Olhos que Condenam.

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Yasmin Thayná

yasmin thainá cineasta

Foto: Pablo Saborido/CLAUDIA

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Além de trabalhar como cineasta e roteirista, esta brasileira lançou em 2016 a plataforma digital colaborativa Afroflix, que veicula conteúdos assinados e produzidos por pessoas negras.

Seu curta Kbela conta como é ser mulher no Brasil e se entender enquanto negra. A produção foi exibida em Nova York e no Cabo Verde e ela recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem da Diáspora Africana da Academia Africana de Cinema.

 

Barry Jenkins

 

O cineasta ficou conhecido no mundo inteiro quando Moonlight: Sob a Luz do Luar ganhou o Oscar de Melhor Filme, após a famosa confusão que havia premiado La La Land minutos antes.

Suas produções são carregadas de sensibilidade para mostrar os desafios que negros enfrentam, expondo um sistema que decididamente não considera todas as pessoas iguais. Obras de destaque: Remédio para MelancoliaMoonlight: Sob a Luz do Luar e Se a Rua Beale Falasse.

 

Jordan Peele

Peele a esquerda. Foto: Wikimedia Commons | Detalhes da licença

 

Peele é um dos principais nomes da atualidade quando o assunto é Filme de Terror Negro. Apesar da experiência na comédia, foi no terror que ele conquistou a indústria e o público, com suspenses inteligentes estrelados por atores negros, reviravoltas de tirar o fôlego e críticas sociais bem direcionadas ao estilo de vida americano e ao racismo institucionalizado.

 

Em 2018 ele se tornou o primeiro roteirista negro a ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Original por Corra!

 

Jeferson De 

Jeferson De fala no Festival Latinidades durante a mesa: Estéticas da periferia (Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Wikimedia Commons | Detalhes da licença)

 

Paulista de Taubaté, Jeferson De venceu o ‘Festival de Cinema de Gramado’  logo na estreia de seu primeiro longa-metragem. ‘Bróder’ foi sucesso absoluto e destaque no conceituado ‘Sundance Screenwriters Lab’, na Alemanha.

Jeferson é formado pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente trabalha no filme ‘M8 – Quando a Morte Socorre a Vida’, que apresenta Lázaro Ramos, Ailton Graça e Zezé Motta no elenco.

 

 

 

 

 

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Cineasta ,produtora audiovisual e apaixonada por tudo que envolve as 7 artes. Atua como membro da Redação do Portal Mundo.