Episódios de Black Mirror que já previam a “cultura do cancelamento”

Episódios de Black Mirror que já previam a “cultura do cancelamento”

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A série inglesa Black Mirror do diretor Charlie Brooker produzida pela Netflix, apresenta questões muito interessantes sobre o uso da tecnologia e análise de comportamentos da sociedade.

 

Na série é mostrado como as pessoas em situação de dependência em relação à tecnologia sofrer suas consequências, algo que não parece tão estranho durante os primeiros contatos, mas que logo se revela perturbador com o passar do tempo.

 

E com essa narrativa de tecnologia e comportamento da sociedade, surge um movimento que já veio ganhando força alguns anos atrás, a “cultura do cancelamento”, que nada mais é o boicote a personalidades (famosas ou não) que cometeram alguma violência ou tenham dito ou feito algo considerado moralmente errado pelos padrões de determinado grupo dentro e fora da internet

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Em meados de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear a prática violência ou tenham dito ou feito algo considerado moralmente errado pelos padrões de determinado grupo dentro e fora da internet, o termo foi popularizado e difundido a partir de movimentos de denúncia como o #MeToo no Twitter.

 

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Há quem defenda a cultura do cancelamento como meio de romper com a estrutura de poder que blinda pessoas privilegiadas na sociedade. Afinal, foi por meio dela que grupos minoritários conseguiram expor violações a direitos humanos e fazer sérias denúncias.

 

Mas será que, a longo prazo, “cancelar” resolve problemas estruturais de desigualdade? Ou apenas reproduz uma lógica punitivista ao linchar quem muitas vezes fez um comentário por ignorância.

 

Afinal, será que estamos vivendo em mundo diatópico ou Black Mirror está frente do tempo? Além da série da Netflix nos apavorar com situações muito reais que se tornaram realidade, você já parou para pensar que ela pode ter previsto a atual cultura do cancelamento?

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Alguns episódios que podem nos ajudar a refletir sobre essa questão e refletir:

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White bear (2013) – 2ª temporada, 2° episódio.

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No episódio White Bear (Urso Branco), Victoria Skillane está sozinha em uma casa, da qual não consegue se lembrar de nada. Saindo, encontram diversos “espectadores”, pessoas que a filmam com o celular e não esboçam qualquer reação.

 

Desesperada, pedindo por ajuda, se vê perseguida por um grupo de pessoas mascaradas, que tentam matá-la. Consegue ajuda de duas pessoas que não estão “hipnotizadas”, e, portanto, tem controle dos próprios atos. Une-se a elas, em uma missão, na tentativa de derrubar o que quer que esteja hipnotizando as pessoas e transformando-as em espectadores.

 

Entretanto, ao chegar ao local, descobre que tudo não passa de uma armação, e que na verdade esta é sua punição, por participar no assassinato de uma criança, juntamente com seu namorado, e sua punição é agonizar todos os dias, revivendo o que fez com a criança, sendo uma espectadora na sua agonia, sem, entretanto, nunca lembrar-se de nada, já que ao fim de cada dia ela passa por uma terapia de choque que a faz esquecer suas memórias.

 

A vingança ocorre no chamado “Parque da Justiça”, e todos os espectadores são pessoas convocadas a fazerem parte da ‘atração’. A personagem é “cancelada” virando um verdadeiro circo do horror, e levanta a questão do processo de especulação  de informações e que será que erros cometidos no passado não merecem direito ao esquecimento, ou essa punição deve durar para sempre?

 

 

Hated in the Nation (2016)- 3ª temporada, 6º episódio

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Hated in the Nation (Odiados pela Nação) é o último episódio da terceira temporada de Black Mirror. Também é o mais longo, com uma hora e meia de duração, praticamente um filme. A detetive Karin Parke (Kelly Macdonald) e sua nova assistente Chloe Perrine (Faye Marsay) começam a investigar um novo caso: uma jornalista famosa foi assassinada depois de escrever um artigo muito polêmico em sua coluna, despertando o ódio de usuários das redes sociais que rendeu muitos comentários na internet.

 

Durante a investigação, Karin e Chloe descobrem que os assassinatos possuem conexões com uma empresa que desenvolve abelhas robóticas, já que essa espécie está extinta nesse mundo.

 

As abelhas surgem para dizimar tais seres “banidos” pela maioria, o alvo é visitado pelas abelhas, que agem do centro de dores  psicológicas  resultaria a condena – las a morte  ou a um suicídio, os efeitos psicológicos causados podem ser retratados como os impactos das redes sociais tem aos seus usuários e como se a internet é capaz de elevar ou destruir pessoas.

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O significado da abelha também é sujeito à outra interpretação. Uma abelha sozinha (um simples tweet, por exemplo) tem pouco efeito, mas um enxame tem enorme poder destruidor. O episódio questiona a sociedade que eleva e destrói personagens a partir de simples declarações e deixa o questionamento, até onde vai o poder da internet na vida das pessoas?

 

E como já diz o famoso bordão “Isso é muito Black Mirror”.

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Cineasta ,produtora audiovisual e apaixonada por tudo que envolve as 7 artes. Atua como membro da Redação do Portal Mundo.