Hambúrguer vegetal é a aposta da foodtech Fazenda Futuro

Hambúrguer vegetal é a aposta da foodtech Fazenda Futuro

futuro burguer da fazenda futuro

Hambúrguer de laboratório: tecnologia da Fazenda Futuro aplicada à alimentação

 

Um dos maiores exportadores mundiais de carne, o Brasil , dá os primeiros passos na revolução do mercado de carnes com a foodtech Fazenda Futuro.  A startup basileira, que recebeu um aporte de US$ 8,5 milhões em sua primeira rodada de investimentos externos e recentemente foi avaliada em US$100 milhões. Hoje conta com o apoio de grandes fundos financeiros, como o Monashees (maior investidor local da Rappi, Loggi e 99).

 

O mercado de produtos alternativos à carne (mas que preservam as características palatáveis) têm atraído, nos últimos anos, milhões em investimento à pesquisa. Já existem algumas estratégias para a produção do “hambúrguer de laboratório”, sendo as mais promissoras (e questionadas, umas vez que ainda utilizam células animais) as pesquisas que utilizam células-tronco animais (carne in-vitro).

 

Também existem pesquisas que utilizam uma base proteica de origem vegetal para simular carne em aspecto e sabor. Como exemplo desta técnica temos o Futuro Burguer um hambúrguer plant-based-meat, produto recém lançado pela Fazenda Futuro.

 

Futuro Burguer 1.0

Em maio deste ano, o empresário Marcos Leta, fundador da Do Bem sucos, anunciou ao mercado um hambúrguer vegetal que promete gosto e aparência de carne bovina. Vendido por R$17 o pacote com duas unidades, o produto é fruto de biotecnologia e sustentabilidade aplicada.

 

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Com sede em Volta Redonda, Rio de Janeiro, a produção do Futuro Burguer acontece utilizando como base a proteína de ervilha, de soja, grão de bico e suco de beterraba para dar cor. Em entrevista a UOL, Leta afirmou que “Todos são ingredientes de qualidade e livres de transgênicos. É uma alternativa mais sustentável não só para veganos e vegetarianos, mas também para quem deseja consumir menos carne”.

 

Vale ressaltar também a preocupação com os valores nutricionais. O hambúrguer conta com 17g de proteína, quantidade muito próxima de um hambúrguer convencional. “Há todo um cuidado para reproduzir uma versão com valor nutricional muito próximo ao da carne vermelha. Trazemos a mesma quantidade de proteínas, mas reduzimos a gordura”.

 

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Uma língua artificial, equipamento ultramoderno repleto de sensores que simulam o funcionamento do órgão humano, foi utilizada durante as primeiras versões dando a empresa parâmetros para desenvolver o sabor, textura e aroma. Segundo Leta, num primeiro momento tudo foi analisado por inteligência artificial para então ir a teste a versão 1.0 com o público.

 

O Futuro Burguer chegou aos restaurantes e supermercados em maio, mas a Fazenda Futuro adiantou que essa primeira versão ainda é um teste, por isso foi apelidada de 1.0.  A suposta versão 2.0 depende do feedback dos restaurantes (que já estão oferecendo o hambúrguer vegetal), e claro, também do consumidor final. A meta da empresa é contemplar vegetarianos, veganos e também “carnívoros”.

 

Este tema renderia muitos outros artigos, embora, vale ressaltar que a iniciativa da startup brasileira levanta uma proposta alternativa que pode, e muito, impactar beneficamente nas mudanças climáticas do nosso planeta. Um estudo divulgado em 2016 pelo Observatório do Clima apontou o setor agropecuário e toda sua cadeia produtiva como emissor majoritário (69%) de gases do efeito estufa no Brasil.

 

Novidade no Brasil mas não no mundo

Novidade no Brasil, sim. Até o momento nenhuma empresa além da Fazenda Futuro desenvolveu, aperfeiçoou e produziu em larga escala um hambúrguer de origem vegetal. No entanto, nos Estados Unidos uma outra versão do hambúrguer vegetal existe há pelo menos 3 anos.

 

A primeira empresa a desenvolver por lá um produto deste tipo foi a Beyond Burguer, que teve prontamente seu hambúrguer vendido em supermercados norte americanos. Este ano tornou-se também a primeira fabricante de carne vegetal (plant-based-meat) com ações na bolsa Nasdaq. Hoje a empresa conta com várias versões do hambúrguer, salsichas e carne moída.

 

A startup californiana Impossible Foods inovou ao implementar uma tecnologia única em seus hambúrgueres. A cor vermelha de sua carne é proveniente de uma proteína similar à hemoglobina, proteína essa que também confere a cor vermelha a nosso sangue. Segundo a empresa, a proteína também do grupo heme foi produzida através de engenharia genética utilizando plantas leguminosas, tornando a Impossible Foods a primeira a produzir leg-hemoglobina em larga escala.

 

 

O futuro da fazenda futuro

Além de lançar o Futuro Burguer 2.0 ainda neste semestre, a foodtech anunciou a parceria com a rede Spoletto para lançar versões vegetais de seus pratos.  As novidades em breve chegarão às lojas. Existem boatos também de que a rede Burguer King testaria o Futuro Burguer 1.0.

 

Apesar das boas perspectivas, já existem debates. O termo “carne limpa”, por exemplo, é contestado tanto por veganos quanto por pecuaristas. Os primeiros são contra o uso do adjetivo “limpa”, enquanto a indústria pecuária se opõe ao emprego da palavra “carne” por temer a concorrência.

 

O que podemos esperar disso tudo é que o futuro nos reserva muitas novidades e avanços técnico-científicos na área alimentícia. Seria este um futuro mais limpo e sustentável, com mais opções para veganos?

 

 

 

 

 

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