Homem recupera o olfato após o uso de cogumelos mágicos

Homem recupera o olfato após o uso de cogumelos mágicos

O israelense Itay Nevo perdeu completamente seu olfato após um grave acidente de carro. No momento do acidente, ele teve que ser transportado de helicóptero para o hospital, quebrou vários ossos e sofreu um traumatismo craniano grave, o que fez seu olfato desaparecer. 

 

Nas semanas seguintes, Itay alcançou consideráveis melhoras, mas os médicos afirmaram que havia chance zero de que o olfato retornasse. No entanto, Nevo encontrou uma cura usando cogumelos com psilocibina, que os cientistas descobriram que podem “religar” efetivamente a parte do cérebro responsável pelo olfato. 

 

+ Psilocibina pode “resetar” a depressão no cérebro

 

Itay disse a muitos médicos sobre sua experiência de cura, mas eles rejeitaram suas alegações, que ele acredita serem porque os cogumelos com psilocibina são estigmatizados e ilegais em muitos países ocidentais devido aos seus efeitos psicodélicos.

 

Itay, que hoje tem 36 anos, está divulgando sua experiência após ingressar no movimento #ThankYouPlantMedicine. O movimento estimula pessoas a falarem abertamente sobre o uso medicinal de plantas psicoativas. 

 

A campanha está se espalhando rapidamente pelo mundo. Para conhecer o grupo da campanha no facebook e ler o relato de Itay (em inglês), clique aqui

 

Itay, que vive na Costa Rica, explicou que o acidente aconteceu após outro veículo colidir com a traseira do carro em que estava.

 

“Eu tive 12 costelas quebradas, um quadril, um osso na perna e a cabeça esmagada. Minha recuperação foi boa porque meu corpo estava saudável, mas tive algumas complicações. Uma delas, foi a perda do olfato. Os médicos não sabiam o que fazer e mais de dois anos se passaram antes que eu o recuperasse. Até aquele momento, os médicos me disseram que as chances de recuperação eram quase zero por cento.”

 

+ Estudo considera psilocibina segura para tratar depressão

 

Itay tomou psilocibina várias vezes ao tocar música como parte de cerimônias organizadas de plantas medicinais, mas não fazia ideia de que os cogumelos teriam um impacto tão profundo em sua saúde.

 

Itay Nevo (Fonte: Reprodução Facebook)

 

Após a terceira cerimônia, Itay repentinamente notou que seu olfato havia retornado um pouco, mas não completamente. Ele continuou tomando a dose recomendada de psilocibina em uma cerimônia – com orientação e apoio – e ficou surpreso quando seu olfato foi totalmente restaurado.

 

“Isso nunca aconteceu durante a cerimônia, mas retornava um ou dois dias depois. Eu caminhava ou fazia coisas normais, e então “bom!”, sentia algum cheiro.”

 

+ Startup quer utilizar LSD, Psilocibina e Ibogaína no tratamento de doenças e vícios

+ Os 5 passos básicos para identificar o Psilocybe cubensis

 

“Foi muito surpreendente porque, depois de anos sem sentir nenhum cheiro, fiquei chocado, não tinha certeza se era minha imaginação. Mas foi forte. Havia um cheiro específico e então, cada vez mais cheiros começaram a se abrir para mim gradualmente. Estava se desenrolando por si só, mas levou alguns meses para voltar completamente” disse Itay.

 

Itay está envolvido em um novo projeto de medicina vegetal chamado Tribal Tierra, com sede no Vale Diamante, na Costa Rica. Os fundadores da Tribal Tierra estão abrindo um templo de remédios que servirá de medicamento de plantas como a ayahuasca, cogumelos mágicos e peiote.

 

Explicação para o caso de Itay Nevo

 

Um novo estudo publicado recentemente na revista “Biological Psychiatry” pode ajudar a explicar o que Itay afirma ser sua experiência de cura.

 

O estudo, envolvendo 23 adultos saudáveis, fornece novos detalhes sobre como a psilocibina altera os padrões de comunicação entre as regiões do cérebro.

 

Os participantes foram submetidos á ressonância magnética cerebral 20 minutos, 40 minutos e 70 minutos após o consumo de psilocibina ou placebo. 

 

+ Cidade americana vai distribuir kits de redução de danos para usuários de drogas

+ Tudo que você precisa saber sobre as diferenças entre THC e CBD

 

Os pesquisadores observaram que aqueles que tomaram cogumelos psilocibina reduziram a conectividade entre áres do cérebro envolvidas no planejamento e na tomada de decisões – mas aumentaram a conectividade entre as áreas do cérebro envolvidas na sensação e movimento. 

 

Em uma entrevista recente ao Psypost, o autor do estudo, Katrin Preller, da Universidade de Zurique e da Universidade de Yale, disse, “A psilocibina – semelhante ao LSD – induziu um padrão de conectividade cerebral que é caracterizado pelo aumento da sincronização das regiões sensoriais do cérebro. Processamento sensorial aumentado, mas alterado a integração dessas informações sensoriais pode, portanto, estar subjacente ao esteado psicodélico e explicar os sintomas induzidos pela psilocibina.”

 

Em 2018, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, líder mundial em pesquisas deste tipo, sugeriram a reclassificação da psilocibina para uma droga de uso médico. Os especialistas sugeriram que a substância poderia ajudar a tratar depressão, ansiedade e transtornos por uso de drogas. 

 

 

Comentários