O Dilema das Redes: documentário da Netflix expõe a manipulação das redes sociais

O Dilema das Redes: documentário da Netflix expõe a manipulação das redes sociais

o dilema das redes

Cada vez mais frequentes são os escândalos sobre violações de privacidade e vazamentos de dados. O documentário “O Dilema das Redes” fala exatamente sobre isso.

 

O Dilema das Redes veio para nos deixar ainda mais atentos a esse assunto, do vício em estar conectado à polarização política, documentário lançado na Netflix mostra como as grandes empresas de tecnologia conseguem prever e até influenciar nosso comportamento.

O Dilema das Redes é impactante não só pelo conteúdo, que chega a exalar uma aura de teoria da conspiração, mas também por trazer especialistas para tratar sobre o assunto, o que afasta a ideia de farsa e nos faz querer repensar nossa relação com as mídias sociais.

 

Isso fica bem evidenciado na sinopse em português, disponível na plataforma, que traz a descrição do filme em formato de alerta: “Especialistas em tecnologia e profissionais da área fazem um alerta: as redes sociais podem ter um impacto devastador sobre a democracia e a humanidade”.

 

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Os depoimentos dos insiders demonstram a má intenção da indústria, que dedicou muito dinheiro e colocou algumas das melhores cabeças do mundo para criar as melhores soluções possíveis para fazer com que, eu e você, tornássemos-nos viciados em tecnologia. 

 

Um deles descreveu seu trabalho da seguinte maneira: como hackers, encontraram uma vulnerabilidade no nosso cérebro, que precisa de atenção, dopamina e reconhecimento, e tornaram aquela sensação acessível em segundos no celular.

 

Exploraram a falha, criando maneiras de recompensa instantânea, e construindo ferramentas que aumentassem o nosso tempo online – e, assim, a possibilidade de tornar nossas interações mais lucrativas para os anunciantes.

 

Fake News

 

Ao longo do documentário, o modelo de negócios das redes sociais é apresentado. A forma como as grandes empresas lucram com desinformações, visto que, as chamadas “Fake News” ou simplesmente notícias falsas, propagam-se pelas redes até seis vezes mais rápido.

Teorias conspiratórias aliciam cada vez mais pessoas. E em um mundo sem diálogos, em que a sociedade se mostra incapaz de discernir com o que é verdade e o que não é, o caos ganha seu espaço.

 

A ascensão no mundo, de políticos tanto de extrema-esquerda como extrema-direita, como Jair Bolsonaro no Brasil, é ligada diretamente ao fenômeno das redes sociais – isso dito pela boca dos próprios que ajudaram a colocar essas redes de pé.

 

O que parecia inofensivo se mostrou devastador. E seus idealizadores, agora, se movimentam para alertar a população. Se é que ainda dá tempo de reverter seus duros efeitos.

 

Se você não está pagando pelo produto, você é o produto!

Criadas para facilitar conexões e aprofundar laços entre pessoas que curtiam e compartilhavam coisas em comum, essas plataformas logo descobriram a fórmula de fazer dinheiro.

 

Para isso era preciso transformar seres sociáveis em seres manipuláveis

 

Os principais serviços na internet, que aparentam ser gratuitos (de redes sociais a buscadores de sites) na verdade cobram um preço do usuário: os dados de navegação e as preferências do internauta.

 

Estas informações basicamente são usadas para traçar um perfil da pessoa como consumidor. São então vendidas pelo site para empresas interessadas na publicidade direcionada especificamente para este tipo de usuário da rede.

 

Quando alguém assina os termos de compromisso de uso do serviço – o que poucos leem –, está concordando com isso. Na prática, é um contrato.

 

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Ao longo dos anos, essas grandes empresas reuniram um arsenal de informações sobre nossos comportamentos e passaram a nos conhecer melhor do que qualquer outra pessoa — inclusive nós mesmos.

 

Isso significa não só que eles sabem como está nossos humores e nossa saúde mental em determinada fase da vida, mas o que este estado alterado nos leva a fazer.

 

Os sistemas são capazes de antecipar tendências e prever comportamentos por modelos de algoritmos, além de vender esta tendência para os interessados.

 

Podem, com isto, moldar e mudar nossos comportamentos conforme descobrem o que nos engaja e mobiliza.

A sofisticação das redes, como mostra o psicólogo social Jonathan Haidt em certo momento do filme, está relacionada ao aumento gigantesco da depressão, ansiedade, suicídio e da internação por autoflagelo entre adolescentes nos EUA.

 

Esta geração, que começou a usar redes sociais durante a pré-adolescência, é mais frágil e se arrisca menos na vida. 

 

“Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software”, destaca o professor Edward Tufte, da Universidade de Yale, durante o documentário.

 

Citada no filme “O Dilema das Redes”, da Netflix, a sentença do professor da Universidade de Yale Edward Tufte leva o usuário a se reconhecer como personagem, e não mero espectador, do documentário sobe os impasses de uma era de vícios tecnológicos, Personagem, não. Produto!

 

 

 

 

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Cineasta ,produtora audiovisual e apaixonada por tudo que envolve as 7 artes. Atua como membro da Redação do Portal Mundo.