Os eventos mundiais mais significantes de 2019 em fotos

Os eventos mundiais mais significantes de 2019 em fotos

A agência Reuters ao lado de seus fotógrafos reuniu os principais acontecimentos de 2019 registrados pela lente de seus fotojornalistas.

 

Além das próprias imagens, que falam por si só, existem histórias internas de homens e mulheres por trás das lentes e suas experiências no cumprimento do dever. Abaixo você encontrará uma seleção de fotos excepcionais pelos profissionais da Reuters, assim como histórias de como surgiram, diretamente dos fotógrafos.

 

+ Miss Universo: “Minha pele e meu cabelo nunca foram considerados bonitos.”

 

Na primeira foto, tirada por Jose Luis Gonzales, ele a explica: “Ledy Perez abaixou a cabeça, uma mão cobria seu rosto enquanto chorava e um braço segurava seu filho de apenas 6 anos, enquanto ele desafiadoramente encarava o soldado da Guarda Nacional Mexicana, que os impedia de fazer a travessia para os Estados Unidos.”

 

Uma mãe e seu filho. (Jose Luis Gonzales/REUTERS)

 

“Captei a situação dessa mãe e filho, que haviam viajado 2.400 quilômetros da Guatemala até a cidade fronteiriça de Ciudad Juarez, para serem detidos a poucos metros dos EUA.”

 

A mãe ainda implorou e pediu à Guarda Nacional que os deixasse atravessar, para um futuro melhor de seu filho, Anthony Diaz. O soldado, vestido de uniforme do deserto, com uma espingarda de assalto pendurada no ombro, apenas disse que estava seguindo ordens. O rosto da mulher transformou-se num pequeno reflexo do sofrimento de todos os migrantes.

 

“Em um momento, aproveitando a oportunidade quando o soldado desviou seu olhar, a Sra. Perez investiu contra os arbustos à margem do rio, puxando seu filho com ela. Eles atravessaram para o outro lado do rio, fora da jurisdição dos guardas, onde agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA os levaram sob custódia.” relatou Jose Luis.

 

Garoto de 12 anos é atingido no olho durante manifestação em Gaza (Ibraheem Abu Mustafa/REUTERS)

 

Ibraheem Abu Mustafa: “Duas semanas depois que um cartucho de gás lacrimogêneo atingiu o olho direito de Mohammad An-Najjar durante um protesto na fronteira de Gaza, o garoto de 12 anos descobriu que nunca mais enxergaria por aquele olho. O médico que o tratou disse que sua retina fora atingida no incidente, perdendo assim a visão.”

 

“Foi uma das semanas mais silenciosas em nove meses de protestos na fronteira com Gaza, quando Mohammad e seus amigos foram ao local de protesto na fronteira, como costumavam fazer. Mohammad contou que não jogou pedras ou rolou pneus em chamas como os demais; mesmo assim foi atingido” comentou Mustafa.

 

A seguir, ele comentou: “Quando cheguei assumi uma posição que parecia segura. À medida que os confrontos entre manifestantes de Gaza e as tropas israelenses se intensificavam, troquei de lentes para fotos a distância e continuei a tirá-las. Alguns manifestantes cobriram o rosto com camisetas para se protegerem do gás, enquanto outros fugiam. A primeira vez que notei que algo de grave havia acontecido foi quando ouvi as pessoas gritarem “Uma lesão, uma lesão!”. Quando vi, um homem estava carregando um garoto nos braços, e sangue escorria pelos olhos do garoto enquanto ele chorava. Eu fiquei em choque, mas continuei a tirar fotos. No fundo, sabia: o garoto havia perdido um olho.”

 

Um ataque em um hotel de Nairóbi deixou 21 pessoas mortas. (Baz Ratner/REUTERS)

 

Baz Ratner: “Joguei minha moto perto do portão da frente do complexo hoteleiro Dusit, em Nairóbi. Entrei no primeiro prédio junto da polícia armada. A seguir, uma granada de mão foi jogada de trás de uma porta. Felizmente, não explodiu. 

 

“A Unidade Paramilitar de Serviços Gerais da Quênia atravessou o portão da frente e eu corri com eles para o segundo edifício. A GSU começou a ajudar os civis desde o primeiro andar até a segurança. Enquanto a GSU escoltava os grupos, o oficial Ali Kombo formou uma fila de civis atrás dele. Quando chegou à frente do hotel, apontou o rifle para o hotel onde os militantes estavam escondidos. Eu me posicionei entre o grupo e uma parede e comecei a tirar fotos. Mais tarde, o rosto do oficial Ali Kombo foi espalhado por toda mídia local, tornando-o um herói nacional: ele havia salvado a todos.”

 

Crianças brincando de “judeus e árabes”. (Dylan Martinez/REUTERS)

 

Dylan Martinez: “Temos uma grande equipe de fotógrafos em Gaza, cuja principal tarefa é fotografas os confrontos entre Israel e Gaza. Minha missão era fazer praticamente qualquer coisa, menos isso. Foi no período que antecedeu o aniversário de um ano dos protestos nas fronteiras de Gaza, que abriram uma nova frente mortal no conflito entre israelenses e palestinos, que visitei Gaza pela primeira vez. Minha tarefa era usar meus olhos desconhecidos para registrar a vida além da batida diária de violência no território. 

 

“Uma das cenas mais fortes foi um pedaço de terra entre uma escola e uma mesquita onde as crianças brincavam. Essas crianças estavam queimando papelão, em trincheiras, e jogando bolas de areia para não se machucarem. Perguntei a eles o que estavam fazendo e me disseram: estamos brincando de judeus e árabes. Essa imagem ficará comigo para sempre.”

 

Criança que estava em escola é salva após desabamento. (Temilade Adelaja/REUTERS)

 

Temilade Adelaja: “O garoto estava de olhos arregalados em uma cama de braços estendidos. Os homens que o levaram, e outros olhando, aplaudiram ao ter visão do jovem, que segundos antes tinha sido retirado dos escombros de um prédio de quatro andares que desabou. 

 

“Ademola Ayanbola, de novo anos, estava em uma sala de aula no último andar. Ele emergiu com o rosto coberto de pó branco dos escombros e uma pasta sangrenta na lateral da cabeça. Apesar de tudo, estava calmo. E as pessoas gritavam: “Tem uma criança!”.”

 

O pai do garoto, Francis Ayanbola, temia que nunca mais visse seu filho. “Quando cheguei lá, tudo estava vazio. Eu estava chorando, já conformado com a morte do meu filho. Mas um amigo ligou para dizer que meu filho estava sendo tratado em um hospital. Depois, quando finalmente abracei meu filho, fiquei empolgado, feliz. Não teria que carregá-lo morto.”

 

Um símbolo da pobreza das florestas do Congo. (Thomas Nicolon/REUTERS)

 

Thomas Nicolon: “Eu dormi durante a noite com os caçadores na floresta. O sol havia nascido, mas ainda havia nevoeiro sobre o rio e os caçadores estavam se preparando para partir. Naquele dia, voltaríamos à cidade de Mbandaka depois de passar quatro dias na floresta tropical caçando carne de animais selvagens. O macaco que havia sido morto no dia anterior estava pendurada em uma árvore acima da água, para impedir que as formigas o alcançassem. Seu bebê chorou a noite toda. Horas depois, comeram o macaco.”

 

“Antes, peguei minha câmera e me aproximei do macaco morto. Eu queria mostrar a realidade da caça. Horas antes, o macaco balançava de galho em galho, no alto das árvores, um símbolo da rica biodiversidade do Congo. Mas pela manhã, transformou-se em carne. Foi estripado e tornou-se símbolo das florestas vazias do Congo.”

 

Notre Dame em chamas. (Benoit Tessier/REUTERS)

 

Benoite Tessier: “Eu estava cobrindo um outro evento quando fui direcionada para Notre Dame pois estava pegando fogo. Quando cheguei, essa foi a primeira imagem que vi – a catedral caindo em chamas e fumaças. Eu não poderia imaginar que o fogo seria tão grande ou se espalharia tão rapidamente.”

 

“Milhares de parisienses e turistas de todo o mundo vieram ver o fogo com os próprios olhos. Lembro-me de duas jovens emocionadas e em estado de choque. Nós não poderíamos nem imaginar o dano lá dentro. A rede telefônica estava saturada e enviar uma foto era impossível. Era uma paisagem urbana que estava sendo transformada por essa destruição. Naquele dia, perdemos um símbolo.”

 

Jornalista é atingido durante protesto em Caracas. (Manaure Quintero/REUTERS)

 

Manaure Quintero: “O protesto do primeiro de maio em Caracas começou com uma tentativa fracassada de golpe do líder da oposição. O dia passou cheio de gás lacrimogêneo, balas de borracha, pedras, coquetéis molotov e balas. Durante a tarde, oficiais detiveram um manifestante carregando uma bomba artesanal.

 

“Corremos em direção ao manifestante detido para fotografá-lo. A guarda nacional nos disse para nos afastarmos, mas um jornalista de TV local, Gregory Jaimes, não respeitou. Nesse momento, a guarda nacional pegou a bomba e a jogou para longe, caindo infelizmente nos pés de Gregory. Quando a explosão ocorreu, Gregory foi atingido na mandíbula e cuspiu sangue dentro da mascara de gás. Muitos jornalistas correram em sua direção para ajudar. Vários colegas o carregaram. Nesse momento, peguei minha câmera e tirei diversas fotos. Felizmente, ele se recuperou depois.” 

 

Protesto de Anarquistas em Paris. (Gonzalo Fuentes/REUTERS)

 

Gonzalo Fuentes: “A marcha sindical em Paris foi acompanhada pelos manifestantes do “Colete Amarelo” e “Black Boc” – anarquistas anti-globalização que usavam roupas pretas e cobriam o rosto.”

 

“Eu andei na marcha até identificar um pequeno grupo de Black Boc que estava tentando se misturar. Andar ao lado deles por um tempo me permitiu sentir aquelas pequenas tensões que geralmente precedem um choque. Algumas horas depois, segui uma unidade tática da polícia em movimento e decidi ficar perto deles, o que me levou a um confronto. No entanto, a multidão se moveu de repente, e eu me encontrei em pé entre a polícia e os manifestantes no exato momento em que um oficial apontou uma lata de gás lacrimogêneo para dispersar os ativistas.”

 

“Eu estava lá com minha câmera apontando para ele e sem pensar, tirei a foto. Felizmente, o policial não disparou a lata, pois o manifestante foi preso. Só quando vi a foto que percebi o quão próximo estava do confronto. Como fotojornalistas, tentamos nos misturar à multidão para trabalhar. Mas os manifestantes também fazem isso – fingindo ser mídia usando câmeras para abordar a polícia.”

 

Farage é vítima de ataque. (Scott Heppell/REUTERS)

 

Scott Heppell: “Fui designado para cobrir Nigel Farage fazendo um encontro de rotina em Newcastle upon Tyne. Não sabíamos que isso iria aparecer nos livros de história no dia em que ele foi ‘abatido’.”

 

“Quando ele foi atingido, ninguém sabia ao certo o que havia sido jogado em Farage. Houve um caos. Ele foi levado para um táxi e rapidamente sua visita à cidade foi interrompida.”

 

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