Os perigos da maconha prensada e formas de redução de danos

Os perigos da maconha prensada e formas de redução de danos

maconha prensada

A maconha em seu estado mais puro já pode causar muitos danos ao usuário. Se pensarmos a “maconha brasileira”, a famigerada maconha prensada, todos os possíveis danos são potencializados devido à mistura de outras coisas e substâncias.

 

Para ajudar neste sentido existem estratégias de redução de danos que podem colaborar para o usuário conviver de forma positiva com o uso da maconha.

 

Primeiramente, entenda que danos ou consequências negativas devido ao uso de maconha podem variar bastante de usuário para usuário. Alguns usuários experientes passaram por múltiplos e severos danos. E outros, poucos ou quase nenhum. Mas, certamente, ao se fumar a maconha prensada e misturada e não ela em sua essência, as chances de danos e sequelas se tornam maiores.

 

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Danos da maconha prensada e estratégias reducionistas 

 

Entenda antes de mais que a maconha vendida no Brasil traz uma mistura imensurável de sujeiras e substâncias tóxicas que podem causar danos ainda piores ao usuário. Existem registros de “mistura” na maconha como: café, urina, esterco, solução de bateria, partes de animais e árvores e até mesmo crack. Além disso, como os traficantes não têm cuidado no manuseio, a maconha prensada traz o risco de contaminação por bactérias e fungos.

 

Para amenizar as substâncias tóxicas que serão ingeridas e aliviar possíveis contaminações, primeiramente busque lavar a maconha prensada. Com a lavagem, boa parte da sujeira será filtrada – ainda estará um pouco longe do “ideal”, mas é alguma coisa. Para aprender como lavar maconha prensada, clique aqui.

 

Um outro possível dano da maconha é  no funcionamento cognitivo do cérebro. Ele pode ser perturbado nas regiões associadas à aprendizagem como atenção, concentração, memória, organização e senso de tempo. Atividades que dependem dessas funções – como lição de casa acadêmica e exames – podem estar distorcidas 24 horas ou mais após o uso. Após um período de uso diário de maconha, pode ser um mês ou mais para o cérebro voltar ao normal funcionamento.

 

Para reduzir possíveis danos da maconha às funções cognitivas, evite utilizar a erva antes de atividades que exigem funcionamento cognitivo intacto como lição de casa, provas e exames, aulas e outras. Da mesma forma, não use no dia ou na noite antes de um compromisso importante. Tente também usar quantidades menores e com menos frequência, assim como tire dias ou semanas para reduzir o TCH acumulado em seu sistema. 

 

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Reações psicológicas negativas à maconha podem incluir ansiedade, paranoia, um sentimento de perda de realidade, alucinações e ser inundado por perturbadores pensamentos. Pessoas com depressão e/ou ansiedade devem estar cientes de que a maconha pode causar sintomas piores. Algumas pesquisas sugeriram que a maconha pode causar esquizofrenia em pessoas vulneráveis. No mesmo sentido, a maconha pode reduzir a eficácia dos antidepressivos e outras medicações psicofarmacêuticas.

 

Para evitar os danos mencionados, não misture maconha com outras drogas – incluindo álcool, que pode intensificar os efeitos negativos. Use a maconha somente em local seguro, com confiança e rodeado de amigos. Converse com seu médico sobre como seus medicamentos podem interagir com a maconha. Faça uma pausa para determinar se está interferindo a capacidade de sua medicação para trabalhar devidamente.

 

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Funções motoras e dependência

 

Ao fumar maconha, nossas funções motoras ficam comprometidas e o tempo de reação é retardado. Por isso, existe um aumento no risco de acidentes durante a condução e utilização de máquinas. Recentemente, estudos mostraram que os motoristas cuja concentração de THC no sangue são 5ng/ml – implicando o uso de maconha nas últimas 1-3h – equivale a um risco elevado de acidente em comparação com motoristas livres de drogas. Da mesma forma, o uso simultâneo de álcool e maconha aumenta significativamente o risco de acidente em comparação com o consumo de uma ou outra substância sozinha.

 

Para isso, não conduza ou opere máquinas enquanto fuma ou após fumar maconha. Espere pelo menos 3h após o último uso antes de dirigir ou operar maquinário perigoso.

 

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A síndrome de dependência de maconha ocorre em uma estimativa de 10% dos usuários. O risco aumenta conforme o uso se intensifica. A dependência em maconha pode interferir no trabalho, no desempenho escolar, em relacionamentos e no humor. Pode da mesma forma reduzir a criatividade, causar problemas de auto-estima e resultar em exclusão social. A dependência física ao uso de maconha é sim possível, e os usuários podem experimentar sintomas de abstinência quando o uso é cortado.

 

Contra os últimos sintomas, mantenha um uso controlado de cannabis. Seja específico e rígido consigo mesmo sobre como deseja se posicionar em relação ao uso da erva (quantas vezes, quando, onde, por quê?). Como já citado, busque fazer uma pausa de 30 dias para limpar o seu organismo. Depois, passe a dialogar com o seu desejo. Pergunte a si mesmo se o momento se encaixa nos padrões que definira anteriormente. Analise suas razões para querer mudar, mantendo-se assim sempre motivado. Identifique o que está desencadeando o desejo de usar: estresse?, mágoas?, conquistas?, etc; a partir disso, considere abordagens diferentes no intuito de gerenciar melhor as suas motivações.

 

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Doenças infecciosas e alternativas 

 

Ainda, doenças infecciosas podem ser passadas na saliva e se espalhar pelo dispositivo de fumo. Por isso, evite compartilhar baseados ou bongs. Se for compartilhar, evite que o baseado toque seus lábios ao fumar. E para bong, limpe-o antes de tragar.

 

Problemas pulmonares como congestão pulmonar, tosse, bronquite crônica e alterações pré-cancerígenas estão relacionados ao ato de fumar. Para isso, coma produtores de maconha ou beba o chá de cannabis para eliminar os danos relacionados ao ato de fumar. Porém, tenha cuidado. Nesta forma, é mais difícil avaliar a quantidade ingerida e desta maneira os efeitos podem durar mais assim como podem ser mais intensos.

 

Por fim, não misture maconha prensada com tabaco. Não inale profundamente ou segure a fumaça por mais de 4 segundos. Após este período, não faz mais diferença para o quanto de substância seu corpo está absorvendo. Segurando mais, o usuário apenas causa mais danos ao seu corpo.

 

*Algumas informações foram retiradas e adaptadas do capítulo 19, “The Pot Book: A Complete Guide to Cannabis”, do livro “Harm Reduction Psychotherapy” sem tradução para o português até a publicação desta matéria , de Andrew Tatarsky. 

 

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