Maconha prensada: O que é, perigos e formas de redução de danos

Maconha prensada: O que é, perigos e formas de redução de danos

Os perigos e riscos da maconha prensada e formas de redução de danos

Os perigos da maconha prensada são diversos e variam, por isso é essencial conhecer estratégias de redução de danos com maconha.

 

* Post atualizado em: 15/08/2020.

 

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Se pensarmos a “maconha brasileira”, a famigerada maconha prensada, todos os possíveis danos são potencializados devido à mistura de outras coisas e substâncias — diga-se de passagem contaminação por insetos, fungos e até urina.

 

Por isso existem estratégias de redução de danos que podem colaborar para o usuário conviver de forma positiva com o uso da planta.

 

 

 

 

 

 

Contextualizando a Maconha Prensada no Brasil

 

Foto: Maconha prensada. Reprodução.

 

Primeiramente, entenda que danos ou consequências negativas devido ao uso da maconha podem variar bastante de usuário para usuário

 

No Brasil vivemos em meio à Guerra as Drogas, isto é, uma política de extermínio que não favorece o controle de qualidade da maconha consumida por seus usuários, uma vez que tudo ocorre debaixo do véu da ilegalidade.

 

Não existem muitas pesquisas sobre a qualidade da maconha vendida no varejo brasileiro. Situação que é inversamente proporcional em países que legalizaram ou descriminalizaram a maconha.

 

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Recentemente, o CEO da revista eletrônica especializada em maconha, SmokeBuddies, Dave Coutinho, comentou no Portal Cannabis & Saúde a respeito da maconha prensada brasileira:

 

“A maconha que chega ao Brasil vem, majoritariamente, de plantações ilegais do Paraguai, onde o cultivo, a colheita, o manuseio e o transporte são realizados sem cuidados e protocolos de segurança e higiene”, conta Coutinho em entrevista ao Portal Cannabis & Saúde.

 

“Além de não haver respeito com as etapas de colheita e secagem da planta, o que acarreta em proliferação de fungos e bactérias, é comum que os cultivadores prensem não só as flores, mas também galhos, sementes e até mesmo insetos presentes nas plantas”, afirma o cofundador da Smoke Buddies.

 

Partindo do questionamento levantado por Dave, e que é de conhecimento dos usuários, o “prensado” fornecido no Brasil é de péssima qualidade inclusive depreciando, quase que totalmente, o potencial terapêutico e medicinal da Cannabis.

 

 



 

 

 

Os perigos do prensado

 

Entenda, antes de mais nada, que a maconha vendida no Brasil traz uma mistura imensurável de sujeiras e substâncias tóxicas que podem causar danos ainda piores ao usuário.

 

Existem registros de “mistura” na maconha como: café, urina, esterco, solução de bateria, partes de animais e árvores e até mesmo crack. Além disso, como os traficantes não têm cuidado no manuseio, a maconha prensada traz o risco de contaminação por bactérias e fungos.

 

O grande problema do prensado situa-se justamente na primeira etapa de processamento, na cura. O prensado pode ser originado de qualquer tipo de Cannabis (sativa, indica, híbrida), sobre este fator — bem como teor de THC, não temos o menor controle.

 

 

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Sobre a produção da Maconha Prensada temos um problema muito gritante. Ao invés de passarem pelo processo de secagem e cura, de maneira correta e controlada, por muitas vezes a maconha é simplesmente prensada, antes mesmo de secar completamente e com tudo que estiver preso nela.

 

Segundo um levantamento feito pelo Growroom, um dos maiores fóruns sobre maconha no Brasil. Os principais motivos que levam a péssima qualidade são:

 

  • Colheita da maconha antes da hora (saiba a hora certa da colheita aqui).
  • Secagem errada ou ignorada que provoca mofo (confira a secagem e cura correta da maconha)
  • Falta de seleção das melhores plantas.
  • Armazenagem inadequada desde a colheita até a venda.
  • A maconha é prensada com galhos, folhas, e até sementes, sendo que o que se fuma são as flores.
  • Tempo de armazenamento inadequado que deteriora a maconha ainda mais

 

 

maconha prensada ou prensado como é feito

Maconha secando de forma incorreta. Foto: Growroom/Matias Maxx

 

 

Como reduzir os danos da maconha prensada

 

Para amenizar a sujeira e contaminação da maconha que será consumida, primeiramente busque lavar a maconha prensada. 

 

Com a lavagem, boa parte da sujeira será filtrada – ainda estará bem longe do ideal, mas é um começo. Para aprender como lavar maconha prensada, clique aqui

 

 

lavar o prensado maconha prensada

Foto: Reprodução/Usuário Growroom.

 

 

A lavagem não vai transformar seu prensado em flor, nem potencializar o seus efeitos psicotrópicos. Mas higiene é sempre bom, convenhamos.

 

 

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A segunda estratégia para reduzir os danos é o uso de piteiras. A pesar de não ter muito impacto sobre a contaminação crítica do prensado, o uso de piteiras esfria a fumaça, o que pode ser bastante interessante se você tem bronquite ou algo do tipo.

 

Estude trocar o prensado por maconha de melhor qualidade. Sim, eu sei, eu sei… o dinheiro aperta e muito quando se quer consumir flores. Mas a longo prazo pode ser um objetivo alcançável.

 

 



 

 

 

Danos da maconha: reações psicológicas e interações farmacológicas

Reações psicológicas negativas à maconha podem incluir ansiedade, paranoia, um sentimento de perda de realidade, alucinações e ser inundado por perturbadores pensamentos.

 

Pessoas com depressão e/ou ansiedade devem estar cientes de que a maconha pode causar sintomas piores. Algumas pesquisas sugeriram que a maconha pode causar esquizofrenia em pessoas vulneráveis. Da mesma forma, a maconha pode reduzir a eficácia dos antidepressivos e outras medicações psicofarmacêuticas.

 

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Para evitar os danos mencionados, não misture maconha com outras drogas – incluindo álcool, que pode intensificar os efeitos negativos.

 

Use a maconha somente em local seguro, com confiança e rodeado de amigos. Converse com seu médico sobre como seus medicamentos podem interagir com a maconha (momento que pode enfrentar algum preconceito, mas é de extrema importância).

 

 

Funções motoras

 

Ao fumar maconha, nossas funções motoras ficam comprometidas e o tempo de reação é retardado. Por isso, existe um aumento no risco de acidentes durante a condução e utilização de máquinas.

 

Recentemente, estudos mostraram que os motoristas cuja concentração de THC no sangue são 5ng/ml – implicando o uso de maconha nas últimas 1-3h – equivale a um risco elevado de acidente em comparação com motoristas livres de drogas.

 

Da mesma forma, o uso simultâneo de álcool e maconha aumenta significativamente o risco de acidente em comparação com o consumo de uma ou outra substância sozinha.

 

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Por isso, não conduza ou opere máquinas enquanto fuma ou após fumar maconha. Espere pelo menos 3h após o último uso antes de dirigir ou operar maquinário perigoso. Um dos princípios da redução de danos com maconha é que você também tenha responsabilidade. 

 

 

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Maconha e redução de danos: doenças infecciosas e alternativas 

 

Ainda, doenças infecciosas podem ser passadas na saliva e se espalhar pelo dispositivo de fumo. Por isso, evite compartilhar baseados ou bongs. E para bong, limpe-o antes de tragar.

 

Em época de COVID-19, nem preciso dizer que esse tipo de estratégia é imprescindível.

 

Problemas pulmonares como congestão pulmonar, tosse, bronquite crônica e alterações pré-cancerígenas estão relacionados ao ato de fumar. Não pelos componentes da maconha, mas sim pela combustão envolvida no processo.

 

É sabido também que os impactos na saúde, mesmo da maconha fumada, são muito menores que os do tabaco, por exemplo.

 

Mesmo assim, tenha atenção. O prensado, como te explicamos, pode conter contaminantes, metais pesados, uréia e outros compostos que podem agravar ainda mais quando passados pela combustão do cigarro.

 

Para isso, coma produtores de maconha ou beba o chá de cannabis para eliminar os danos relacionados ao ato de fumar. Mas tenha cuidado. Nesta forma, é mais difícil avaliar a quantidade ingerida e desta maneira os efeitos podem durar mais assim como podem ser mais intensos.

 

 

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Por fim, visto os perigos da maconha prensada, não a misture com tabaco. Apesar de ser tentador visto que faz render mais, você estará apenas potencializando os danos ao seu corpo misturando com outra erva que causa muito mais danos e dependência.

 

 

 

*Algumas informações foram retiradas e adaptadas do capítulo 19, “The Pot Book: A Complete Guide to Cannabis”, do livro “Harm Reduction Psychotherapy” sem tradução para o português até a publicação desta matéria , de Andrew Tatarsky. 

 

 

 

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