Dir. da Anvisa: plantio de maconha para uso medicinal é questão de tempo

Dir. da Anvisa: plantio de maconha para uso medicinal é questão de tempo

maconha para uso medicinal

Após ver a proposta de dar aval ao cultivo de maconha para uso medicinal ser vetada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o diretor-presidente do órgão, William Dib, afirma que uma nova tentativa de aval ao plantio pela sociedade ou Congresso é apenas “questão de tempo”.

 

Em entrevista à Folha às vésperas de terminar o mandato, ele diz que o veto deverá levar a um aumento nas ações judiciais sobre o tema. Dib deixará a agência nesta quinta (19). 

 

“Não regulamentando, a Anvisa não vai poder reclamar se o Judiciário e outras instituições avançarem no plantio desregulamentado e sem garantias mínimas de qualidade e segurança. Torço para que não haja uma progressão geométrica desses pedidos de plantio”, afirma. “Mas o aumento vai acontecer.”

 

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Na última semana, diretores acabaram por rejeitar a proposta por três votos a um, o que, na visão de Dib, mostra que “o poder de convencimento do governo foi eficaz”.

 

“Os diretores que votaram a favor da consulta pública por unanimidade mudaram de opinião. É normal. Faz parte do processo, e não posso responder por eles. Mas acredito que é questão de tempo para a sociedade ou o Congresso achar caminhos para a regulamentação do cultivo” afirma Dib.

 

Mas para ele, os argumentos apresentados para derrubar a proposta eram contraditórios.

 

“A realidade é que todos os lugares têm Cannabis para uso recreativo. Se não tiver, levam até onde você está, e por um preço extremamente módico se comparar com o da Cannabis medicinal. Além disso, o número de plantios que poderia haver no nosso país não seria significativo diante do número que existe hoje autorizado judicialmente. Não acredito que o Brasil tivesse mais que cinco ou dez plantios.”

 

Suposta derrota sobre o cultivo de maconha para uso medicinal

 

Dib, porém, nega que tenha sido derrotado pelo governo. “Se isso os agradar, ‘ganhamos do presidente da Anvisa’, vou até colocar no meu currículo. Quem sou eu para ser derrotado pelo governo?”, ri.

 

Apesar do veto ao cultivo, o diretor diz avaliar que a agência deu um passo à frente ao aprovar regras que permitem a produção, registro e venda nas farmácias de produtos à base de Cannabis.

 

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A medida, avalia, deverá estimular pesquisas e dar acesso a produtos mais confiáveis do que aqueles que hoje são obtidos por meio de importação. “Para ser produtor desse medicamento à base de Cannabis, a empresa terá que ter certificado de boas práticas de fabricação, algo que no processo atual não podemos exigir.”

 

Mas na visão do diretor, o aumento da oferta e da segurança, não deverá vir acompanhado de uma redução nos preços a curto prazo.

 

“Não ficará, ao menos nos primeiros anos, mais barato. Como não temos, vamos ter que comprar. Se os países tiverem isso sobrando, o preço será mais baixo. Se estiver faltando, pagaremos mais caro. Mas ficaremos na dependência do mercado produtor”, diz ele, para quem o cenário pode mudar nos próximos anos.

 

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“Hoje o custo é caro porque a importação e autorização é individual. Não podemos garantir agora que fique mais barato. Mas, na teoria, com o passar do tempo, sim, porque virá em quantidade.”

 

Já o controle deverá ser semelhante ao que ocorre hoje para medicamentos e demais produtos controlados, com cobrança de receitas do tipo azul e amarela e controle de fraudes, diz. A expectativa é que os primeiros produtos comecem a chegar nas farmácias já no próximo ano. 

 

*Matéria original da Folha

 

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