Rapé: redução de danos e sua utilização xamânica

Rapé: redução de danos e sua utilização xamânica

Rapé

Esta é mais uma matéria sobre o estigma do tabaco, abordando agora o rapé. O rapé é um pó resultado da masseração de tabaco e cinzas de outras plantas, normalmente de uma árvore batizada de Tsunu (Platycyamus regnelii).

 

Esta mistura é preparada, condicionada e aspirada ou soprada pelas narinas. Seu uso é ancestral e esteve presente em muitos períodos. O mais interessante se dá pelas tribos amazônicas e caboclos da floresta, que utilizam o rapé para fins medicinais e cerimoniais, assim como outras substâncias etnobotânicas e elementos minerais da floresta.

 

 

O Tabaco O tabaco supracitado não é o tabaco industrializado, estamos tratando da face xamânica da planta. O tabaco sempre foi considerado pelas tribos Katukina, Yawanawá e outras da região como uma Planta de Poder, porém caiu em mau uso pelos brancos, descentralizando sua força e poder.

 

Utilizado da forma correta, é uma prece para o Grande Mistério. É um ritual de evocação do plano espiritual. Os nativos norte-americanos consideram o tabaco uma planta de claridade. É o totem vegetal do elemento fogo, e como todo fogo, pode elevar ou destruir.

 

 

O rapé indigena 

 

O rapé é usado pelos Katukina como consagração pós esforço, para relaxar e aquietar a memória. É preparado com carinho e paciência para transformar as folhas secas do tabaco e as cinzas da Tsunu no pó que conhecemos. 

 

O rapé não é aspirado pelos indígenas e sim soprado por outra pessoa ou pelo próprio indivíduo. Para isto é utilizado um instrumento de bambu oco, o Tipí. Esta comunhão entre o indivíduo que recebe e o que sopra é a garantia da energia do rapé. O que o soprador mentalizar durante a cerimônia influenciará no efeito xamânico. Um mesmo rapé não provoca o mesmo efeito se ministrado de formas diferentes.

 

 

O efeito do rapé é rapido, após alguns minutos o indivíduo sente-se em um grande bem estar, além de promover a limpeza das vias aéreas (embora não haja estudos clínicos). Alguns ainda relatam que o rapé tem a capacidade de esfriar o corpo depois de um dia de trabalho debaixo do sol.

 

Portanto, além de estimulante o rapé causa hipotensão (pressão baixa). Também pode eventualmente ser utilizado para caçar e espantar a panema (preguiça) ou em cerimônias com Ayahuasca.

 

Riscos do uso indiscriminado 

 

O rapé tem como principal constituinte o tabaco (Nicotiana tabacum), planta rica em nicotina. O uso do rapé deve ser ministrado por quem fez o rapé, dentre os indígenas, os pajés e majés.

 

O uso indiscriminado do rapé, seja na cidade grande ou qualquer um que inspire o pó sem uma preparação espiritual, poderá acarretar na dependência química da nicotina. Certamente o tabaco inspirado é uma forma mais natural em relação ao cigarro convencional, pois não há combustão e, consequentemente, não há transformação de substâncias nem ingestão de gases nocivos. Mas, ainda assim, tenha cuidado. 

 

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