Realidade virtual passa a ser usada na reabilitação de usuários de drogas

Realidade virtual passa a ser usada na reabilitação de usuários de drogas

Realidade virtual no tratamento de usuários de drogas

A startup chinesa WonderLab criou uma solução que utiliza realidade virtual (VR) e inteligência artificial (IA) para medir o vício de usuários de drogas em reabilitação e ajudar no tratamento. Segundo apuração do South China Morning Post, a avaliação se dá por meio de uma imersão em VR numa situação recorrente de uso de drogas.

 

Uma das imersões desenvolvidas, por exemplo, coloca o usuário dentro de um carro estacionado em um beco escuro à noite. Uma personagem feminina está sentada no banco do passageiro e pergunta ao sujeito do teste se ele quer fumar metanfetamina com ela. A moça acende a droga e enche o carro de fumaça. Então, aparece um segundo cachimbo bem à frente do viciado.

 

 

Ao longo de toda a experiência de realidade virtual, o usuário fica conectado a diversos sensores. Estes monitoram batimentos cardíacos, ondas cerebrais assim como condutividade elétrica da pele. Os dados obtidos são processados por um sistema de inteligência artificial que então gera uma “pontuação de fissura”, que avalia o nível do vício.

 

De acordo com Li Dai, fundador e CEO da healthtech sediada em Pequim, o algoritmo foi alimentado com cerca de 10 mil casos de vício em drogas. Os dados monitorados pelos sensores durante a experiência de alta vulnerabilidade do usuário em reabilitação são comparados às informações da base para gerar a “pontuação de fissura” final.

 

Hoje, a WonderLab opera em centros de reabilitação de dez cidades chinesas. A China tem 2,4 milhões de usuários de drogas, segundo informações do Governo Central. Desses, cerca de metade tem histórico de uso de metanfetamina.

 

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Realidade virtual como forma de tratamento

 

“Simplificando, a solução pode ser vista como um polígrafo do vício em drogas”, explica Li Dai. “Avaliações costumam vir de questionários, que, além de subjetivos, não são quantificáveis. É como medir a febre sentindo o calor da pele, enquanto nossa tecnologia é o termômetro”. De acordo com a WonderLab, a avaliação tem assertividade de 90%.

 

Segundo o fundador da healthtech, o segredo para melhorar a tecnologia – e desenvolver soluções similares em outros campos do estudo humano – está no cérebro. “Há, aproximadamente, 86 bilhões de neurônios no cérebro humano, o que torna todo o processo de monitoramento bastante complexo”, diz. “Com machine learning, esperamos treinar o algoritmo para que ele consiga descartar as ondas cerebrais irrelevantes para a questão que está sendo avaliada”.

 

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Hoje, a WonderLab também desenvolve um sistema semelhante para identificar pacientes com depressão por meio de imersões em realidade virtual. Os próximos passos, segundo Li Dai, visam o diagnóstico e tratamento da esquizofrenia e Alzheimer.

 

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