Coletivo faz testes de substâncias em raves pelo Brasil

Coletivo faz testes de substâncias em raves pelo Brasil

Teste de substâncias

Redução de Danos e testes de substâncias vêm se tornando cada vez mais comum nos eventos. Por isso, as produções de grandes espetáculos andam dedicando cada vez mais atenção a esse quesito.

 

Neste sentido, existem diversas formas de se abordar redução de danos para com o público. Primeiramente, a informação. É fundamental que o usuário esteja ciente das consequências do uso de uma substância. É preciso que ele conheça seus componentes, os efeitos, bem como possíveis princípios de bad-trip. Da mesma forma, é preciso estar bem psicologicamente e fisiologicamente.

 

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Em segunda lugar, a redução de danos em grandes eventos pode ter também foco em acolhimento. Neste momento, pessoas que estão enfrentando uma experiência maligna são acolhidas por profissionais e agentes capacitados, no intuito de esclarecer e tranquilizar o usuário.

 

Por último, é possível realizar testes de substâncias para esclarecer o usuário acerca de qual substância de fato ele está prestes a consumir.

 

Testes de substâncias no Brasil 

 

No Brasil, a iniciativa de testes ainda é recente. Da mesma forma, poucos coletivos oferecem o trabalho. Um deles, é o Coletivo Mentalis de Redução de Danos. O grupo é uma das referências no país no que tange à RD, atuando em grandes festivais pelo país como Mundo Psicodélico Festival, Baobá Festival, Maori Festival e outros.

 

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Conversamos rapidamente com o coletivo para saber mais sobre os testes de substâncias:

 

1) Portal Mundo: Antes de mais, fala um pouco do Coletivo Mentalis? Como surgiu e qual é o foco das atuações de vocês?

 

“O coletivo surgiu em 2018, com base em um trabalho que acontece desde 2012. Dessa forma, nos estabelecemos como um coletivo de redução de danos criando um nome, redes sociais, buscando aprimorar nossos conhecimentos e expandir nosso trabalho. Nosso foco é promover o bem-estar psicológico e fisiológico em festivais e raves por meio de acolhimento, escuta, empatia etc., proporcionando um ambiente que a galera se sinta confortável em nos procurar e contar como se sente naquele momento. É a partir destes relatos que fazemos uma intervenção em sua experiência, seja com escuta, conversa,  um abraço etc.”

 

“Quando a pessoa já está num nível mais avançado, oferecemos vitamina c (que serve para abaixar o nível de estresse e ansiedade) e procuramos entender sua demanda para saber como ajudá-la. Também trazemos o conhecimento sobre, primeiramente, o que é a redução de danos. Em todos os festivais que atuamos, várias pessoas nos perguntaram sobre o que fazemos, qual o significado, qual a diferença entre ambulatório e RD etc. Também tiramos as dúvidas em geral que nos trazem, falamos sobre as substâncias que são ingeridas, o risco de misturá-las, distribuímos um “guia anti-bad” e realizamos testes de substâncias.”

 

2) Portal Mundo: Sobre os testes de substâncias, como funciona? Explica pra gente o processo…

 

“A atuação da Maori foi a primeira em que estávamos com material de testagem de substâncias. Notamos que em nossa primeira atuação, tivemos uma procura mesmo que mínima em relação aos  testes. Utilizamos dois tipos de reagentes: “Mandelin” e “Hoffman” e dois frascos acompanhados de uma tabela de cores para identificação de substâncias e derivados. O primeiro fora utilizado para identificar a presença de MDMA ou outras substâncias que pudessem estar presentes tanto na bala quando no cristal. O segundo para identificar a presença de LSD ou qualquer outro derivado. Durante o procedimento, os agentes fizeram uso de luva para a higienização e proteção por conta dos reagentes serem químicos e corrosivos.”

 

“Quando alguém chegava para realizar o teste, sempre perguntávamos o que ele queria testar para que já soubéssemos qual seria o reagente a ser utilizado e qual tabela serviria como base de análise de resultado. Assim, usamos um canivete para retirar uma quantidade mínima tanto do Ecstasy quanto do LSD. Por fim, uma gota era adicionada em cima da substância e aguardávamos o tempo de reação. Para Ecstasy, 30 segundos. E para LSD, 60 segundos.

 

“Pudemos concluir que quando o líquido reagia com uma cor roxa seguindo para o preto, havia a presença de MDMA na substância, e com o LSD a cor para  identificarmos a sua presença era azulada, caso não houvesse a presença do LSD, a cor da reação era voltada para o branco/transparente. Finalizando o tempo de reação, usamos a tabela para interpretação do resultado junto com a pessoa para que houvesse uma conscientização daquilo que ele possuía em mãos. Assim, decidiria se faria o consumo ou não. Infelizmente não temos como afirmar com 100% de certeza a quantidade de  MDMA ou LSD. Da mesma forma, nem qual o derivado quando não era obtida a reação. Mas sabíamos que havia muito ou pouco por conta da concentração e que não era MDMA/LSD.”

 

3) Portal Mundo: Como é a recepção do público? Em todas as áreas, informação, acolhimento e testes…

 

“Sempre iniciamos os turnos distribuindo panfletos e conscientizando a galera sobre o risco de misturar substâncias. Até então existe pouca procura para testar os psicoativos e entender o nosso intuito. Acredito que nosso trabalho é mais reconhecido na hora de ajudar as pessoas que estão na bad-trip. Trabalhar junto ao ambulatório também acrescenta muito, pois são horas extensas de pico. Mas em geral o pessoal se sente bem à vontade com nossa atuação e os resultados são ótimos.”

 

“Hoje, com mais visibilidade e conhecimento passado, nosso trabalho é muito bem visto e somos recebidos com o maior carinho. Já até ouvimos que somos os “anjos do rolê”. Se tratando dos testes, houve grande procura no festival Maori, teve uma insegurança inicial do público, mas essa insegurança logo se tornou grupos de amigos indo até a tenda do nosso coletivo para testar as substâncias e conversar. Quanto mais visitas tínhamos, mais divulgações ganhávamos, e é essa segurança que o pessoal procura. Quando mistura prevenção e informação, as coisas fluem e nosso trabalho ganha sentido.”

 

O Coletivo Mentalis atua em festivais por todo o Brasil. Para mais sobre o trabalho, conheça suas redes sociais. 

 

Por fim, incentive e leve para o seu evento! Seu público certamente agradece.

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