Você se exporia ao coronavírus em experimento? Cientistas dizem ser a saída mais rápida

Você se exporia ao coronavírus em experimento? Cientistas dizem ser a saída mais rápida

coronavírus em experimento portal mundo

Segundo três autores, estudos controlados com exposição ao novo coronavírus (causador da COVID-19) são a melhor forma de acelerar testes, possíveis tratamentos e vacinas.

 

Um estudo publicado no “Journal Of Infectious Diseases” da Oxford Academic, no último dia 31, expõe que os procedimentos em laboratório para realizar testes de vacina para a COVID-19 precisa ser acelerado no mundo todo. Observamos em vários países essa aceleração, sendo realizados centenas de testes em paralelo – que originalmente seriam realizados em sequência.

 

 

Leia também:

 

 

 

 

 

Entretanto, segundo os autores, a aceleração dos processos bioéticos e sistemáticos já existem na criação de vacinas, mas isso não vai ser suficiente. Os autores defendem, portanto, expor propositalmente voluntários ao novo coronavírus em experimento e testar diretamente neles as vacinas.

 

No mundo existem centenas de vacinas em desenvolvimento, as principais estimativas são de que seria disponibilizados para o público em escala global em cerca de 1 ano e meio ou mais. Até lá, muita gente pode morrer.

 

O Dr. Nyr Eyal é um dos autores que escreveram o estudo, que rapidamente circulou o mundo. Eyal é diretor do Centro para Bioética Populacional da Universidade Rutgers, nos EUA.

 

 

Entrevista com os autores

 

Segundo apuração da Revista Bem Estar do G1, pelo jornalista Felipe Gutierrez, o Dr. Eyal diz:

“Sugerimos que, dadas as circunstâncias de uma pandemia global devastadora, estudos controlados que incluem exposição deliberada à doença para humanos sejam uma forma aceitável de acelerar os testes e o licenciamento de vacinas eficazes”, afirmaram eles.
O tipo de estudo que determina se um medicamento é eficiente para combater uma doença é chamado de ensaio clínico.

 

Uma das fases desse processo, geralmente a mais demorada, é testar em pessoas –uma parte recebe o medicamento, a outra, um placebo (uma substância inócua, que serve para que os pacientes sirvam de base de comparação). Os autores do estudo sugerem fazer essa parte do ensaio de uma maneira diferente.

 

Primeiro, seriam comparadas diferentes vacinas de uma só vez, o que não é tradicional. Haveria diferentes grupos recebendo cada possível vacina e um único que receberia placebo –assim, um único conjunto de pessoas que servem como controle estarão expostas.

 

Logo após inocular a vacina em voluntários, eles seriam expostos ao Sars-Cov-2.

 

“Há uma sugestão que uma porcentagem de nós ficarão infectados em algum momento. Não significa que a doença vai se desenvolver, ou que iremos morrer, mas que teremos o vírus”, afirmou Eyal em conversa com o G1.

 

“Nesse tipo de ensaio, podemos garantir com certeza que esses voluntários serão monitorados frequentemente e, ao primeiro sinal [de doença] eles receberão terapias e acesso a apoio médico.”

 

Eyal, entretanto, não especifica qual seria o ganho de tempo com esse tipo de procedimento, mas ele afirma que seriam “alguns meses”.

 

 

Não é a primeira vez

 

Expor voluntários a doenças em estudos clínicos já ocorreu outras vezes na história com doenças como malária e gripe, que tem menor potencial de letalidade do que a COVID-19. A própria origem das vacinas nos mostra que expor pessoas ao patógeno de forma atenuada ou assistida pode resultar em imunidade adquirida natural.

 

Os participantes, no entanto, precisam ser pessoas jovens e completamente saudáveis, para que os riscos da Covid-19 sejam mais baixos e o estudo seja o mais seguro possível.

 

 

Leia também:

 

 

 

 

Programa voluntário: Exposição de pacientes a coronavírus em experimento

 

É comum vermos em filmes norte-americanos personagens participando de testes clínicos para medicamentos e produtos em troca de dinheiro. Nos Estados Unidos, essa prática é comum e aprovada pelas entidades.

 

Para o Dr. Eyal, afinal, esse não deveria ser o caso, porque o pagamento pode representar um incentivo para que os participantes escondam pré-condições de saúde que sejam comorbidades –portanto, eles não estariam na categoria de baixo risco.

 

No texto, eles afirmam que o número de vidas poupadas com isso pode ser na casa do milhão.

 

Os autores também argumentam que há outras circunstâncias sociais em que pessoas encaram riscos grandes para salvar vidas: bombeiros e doadores de órgãos que estão vivos, citam.

 

É uma abordagem não-convencional, eles concluem, mas a força do novo coronavírus nos obriga a encarar esse tipo de ensaio.

 

Eyal afirma que já recebeu respostas de pessoas que estão dispostas a encarar o risco: “Fomos inundados por mais de cem pedidos de pessoas que querem ser voluntárias”, ele disse –ainda que ele mesmo não conduza os ensaios.

 

 

A entrevista original e na íntegra você lê no G1.

 

 

Comentários

Avatar

Biólogo, Fotógrafo e aluno do Instituto de Botânica de São Paulo. Atua no Portal Mundo como Editor-Chefe de Redação e Conteúdo e na Tv Mundo como Diretor.